quinta-feira, 21 de julho de 2011

A ESTÓRIA DO PRÍNCIPE NEGRO DO DESERTO E DA ESCRAVA LIBERTA



Uma estória real! De um príncipe de verdade!
Num país chamado Níger, no Continente Africano, há um príncipe vindo do povo Tuaregue. Das areias do deserto!
Sua vida é dedicada ao nobre ideal de libertar não UMA, mas TODAS as mulheres indefesas do suplício da escravidão, inclusive sexual.
Seu nome é príncipe Almud.
Almud é um príncipe diferente: Não é um jovem louro de olho azul, não usa capa e espada, nem monta num cavalo branco.
Almud é negro como a noite e como o povo do oriente. Usa um turbante branco e já está na meia idade.  Sua espada é a palavra e a lei, que leva em punho. E seu cavalo branco é uma motinho vermelha, antiguinha, que desbrava as areias do deserto.
A luta do príncipe Almud não é contra um dragão de 7 cabeças!
As mocinhas não foram escravizadas por bruxas ou madrastas más.
A luta do príncipe é contra milhares de cabeças dos homens de uma nação, de um país, que seguem uma cultura, uma tradição ultrapassada, cruel e machista.
As mocinhas dessa estória foram escravizadas por essa cultura, essa tradição em que as mulheres são consideradas um bem de aquisição e valem menos que uma cabra!
Almud é um príncipe de verdade, de linhagem e sangue nobres. Tem coragem e uma alma generosa!
É filho de um rei e uma escrava. Daí vem seu ideal libertário: Em cada escrava que liberta, ele liberta um pouco sua mãe!
Neste mesmo país, Níger, há um lugar chamado "Triângulo da Vergonha". Lá vive uma mulher chamada Hadizatu (lê-se Radijatu).
Filha de uma escrava, Hadizatu tem 23 anos e foi feita escrava aos 13, quando um amigo da família a vendeu à um homem chamado Charlatão.
Charlatão é um senhor de escravos e segue a tradição e os costumes locais do Islamismo, onde o homem pode ter até quatro esposas.
As mulheres que vierem depois são consideradas escravas e todas são chamadas de "5ª esposa".
Hadizatu era então, aos 13 anos, uma "5ª esposa". Uma escrava.
Desde de que chegou, aos 13 anos, ela foi estuprada e espancada!
Desses estupros nasceram 2 filhos homens, que por direito, pela lei do país, pertencem ao pai.
Hadizatu tentou fugir por várias vezes, mas em todas as tentativas era apanhada e espancada.
Ela sofria muito e sonhava com a sua liberdade.
Um dia os destinos de Hadizatu e do príncipe Almud se cruzarão.
Como a mãe do príncipe Almud era uma escrava, ele pôs em seu coração o nobre ideal de acabar com a escravidão em Níger. E lutava por isso arduamente, junto ao governo de seu país. Até que um dia, Níger decretou que a escravidão é crime!
Mas a decisão do governo não bastava para aqueles homens. Eles não davam a mínima para a lei e não queriam, não aceitavam mudar seus costumes.
Então, o príncipe tuaregue montava em sua motinho vermelha, com seu turbante branco e sua "Lei Áurea Níger" em punho e partia, rumo às aldeias onde houvesse escravidão.
Ia anunciar as "Boas Novas" e convencer os chefes, os senhores de escravas dessas aldeias, a libertá-las.
Eis que certo dia, o príncipe chegou à aldeia onde vivia Hadizatu.
Lá, ele teve que enfrentar Charlatão, que era o chefe.
Depois de muita luta verbal, mediante aos documentos e à sabedoria de suas palavras, o príncipe Almud convenceu Charlatão de que a escravidão era legalmente reconhecida como crime pelo governo do seu país e de que ele deveria libertar suas escravas.
Charlatão assumiu o compromisso diante de toda aldeia, mas não deixou que suas escravas tomassem conhecimento do fato.
Os meses se passaram e nada mudou.
Até que chegou à aldeia um irmão de Hadizatu, para visitá-la.
Ele perguntou à ela se não sabia que era livre e lhe contou o acontecido.
Hadizatu, então, foi embora. E com o coração partido, teve de deixar para trás seus dois meninos.
Ela voltou para a aldeia de seus pais.
Lá se casou com um pequeno agricultor e ficou grávida. Mas ainda não havia chegado o momento de Hadizatu ser feliz!
Charlatão descobriu a nova vida de Hadizatu, acusou-a de ser bígama (casada co 2 homens ao mesmo tempo) e o seu suplício recomeçou!
Aos 2 meses de gravidez, Hadizatu foi levada à prisão. Onde ficou por vários meses.
Até que o príncipe Almud e sua ONG (Organização Não Governamental) começassem a lutar por sua 2ª libertação, junto ao governo de Níger.
O julgamento de Hadizatu envolveu até um ministro. Foi um marco histórico.
O príncipe e sua ONG alegavam que Hadizatu não era esposa, mas escrava!
A juíza concordou e decretou, então, que Hadizatu era uma mulher livre!
Almud libertou-a!
Hoje Hadizatu vive feliz! Por ser livre para viver a vida que escolheu para si!
Seu exemplo ajuda a libertar outras mulheres na mesma situação, através do precedente que foi aberto na Lei, à partir do seu caso.
Essa é a estória de um verdadeiro príncipe, cujo nome e feitos realmente merecem ser contados milhares de vezes aos nossos filhos e perpetuado através das gerações!
A estória de Almud, o libertador de escravas! O príncipe negro do deserto, de coração nobre e generoso. De espírito valente e guerreiro. De alma altruísta, fiel aos seus ideais.

Ah! E a estória não para por aqui, não!
Pois o príncipe Almud, segue sua jornada, nas areias do deserto, com seu turbante branco, sua motinho vermelha, empunhando sua "Lei Áurea" em prol da liberdade das mulheres do seu país, Níger!
O ano é de 2009.

Por LORENA HORTA.

Esta é uma estória real,  foi um documentário que eu vi na TVE-RJ, em 17/12/2009. Mas o texto é meu. E as imagens, do Google.

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