Para Obter Pensamentos Claros - Walter D'Oxaguiã
(Odu regente - Yorossum)
Macere folhas frescas de Abre-caminho, Saião, Manjericão e Algodão. Tome um banho. Vista-se com roupas brancas.
Sobre uma folha de echibatá (folha do equilíbrio), arrume canjica cozida, obi e orobô ralados, noz moscada e efum ralados.
Ore à Baba Ajalá (Oxalá - Pai Modelador de Todas as Cabeças), pedindo paz e pensamentos claros.
Ponha sobre a cabeça, com cuidado para não derramar nada. Enrole com um pano branco.
Durma de um dia para o outro.
No dia seguinte, despache tudo no mato, acompanhado de duas velas brancas.
*observações:
- acho que o efum aqui citado, se refere à pemba branca.
- acho que echibatá é a mesma coisa que oxibatá, que é vitória-régia (planta).
Quem é Baba Ajalá (ORISÁ ORI)
“Ko sí Òòsà tí i dá´ni gbè léhìn Orí eni”
“Nenhum Orixá abençoa uma pessoa antes de seu Orí”
Ajalá foi incumbido de modelar as cabeças humanas com a lama do fundo dos rios, e outros elementos da natureza. Ele moldava as cabeças e as assava em seu forno. Depois que Ajalá terminava de fazer os ori, Obatalá soprava neles o seu emi e lhes dava vida.
Entretanto Ajalá tinha o hábito de se embriagar enquanto cozia o barro, e criou muitas cabeças defeituosas, queimando algumas e deixando outras com o barro cru.
A causa dos problemas que muitas pessoas apresentam antes da iniciação seria exatamente um ori cru, queimado, ou mal proporcionado, devido a uma bebedeira de Baba Ajalá.
No princípio dos tempos da Criaçao, Odudua havia criado a Terra, Oxalá havia criado o homem, seus braços, pernas, seu corpo, Olórúm lhe insuflou o èmí(respiraçao divina), a vida. Mas Oxalá havia se esquecido da cabeça..Oxalá não fez a cabeça do Homem… Entao Olórúm pediu à Àjàlà, o oleiro divino, para confeccioná-la. Àjàlà quando foi confeccionar Orí pediu a ajuda de Odú, e assim todos os Odús ajudaram à Àjàlà a confeccionar Orí.
E assim nasceu Orí:
Antigamente os orixás e ancestrais se rebelaram, querendo ter os poderes e a sabedoria do deus supremo. Como mensageiro nomearam Exu, que levou as reivindicações a Olodumare. Este lhes enviou um poderoso obi e, orientado por Ifá, determinou que após deixá-lo a noite inteira numa encruzilhada, os orixás e ancestrais deveriam tentar parti-lo para mostrar seu poder.
Ori era apenas uma pequena bola, que não possuía sequer um corpo para se apoiar, e ninguém o respeitava. Para conseguir partir o obi, procurou Ifá, que o aconselhou a fazer uma oferenda para os odu, para conseguir a força de todos eles. Além disso deveria espojar-se na poeira do chão por algumas horas.
No dia seguinte todos já estavam preparados para tentar partir o obi, quando chegou Ori, espojando-se na poeira. Um a um os orixás foram fracassando na tentativa, pois o obi era muito forte e resistente. Ori se apresentou e, como última opção, deixaram-no tentar. Com seu peso caiu sobre o obi, que se partiu em seis gomos. Todos ficaram muito felizes.
Olodumare, ao receber a notícia, imediatamente enviou uma linda almofada, onde Ori se instalou. Dessa forma Ori ganhou um corpo para sustentá-lo. Orixás e ancestrais exclamaram: Ori apere!
A partir desse momento, Ori nasceu. Passou a ser dotado de iwa, a existência, dada por Olodumare, como prêmio por ter sido o único a conseguir partir o fruto-ventre. Orí é composto da matéria divina dos Odús, misturados em quantidade e organizados segundo a sabedoria de Àjàlà a pedido de Olórúm. Do material (òkè ìpònrí) q Àjàlà utiliza para confeccionar Orí se constitui èwò (tabu) para quem possuir esse Orí. E assim se determina as interdiçoes alimentares dos indivíduos, pois, comer do próprio material de q foi constituído, caracteriza ofensa séria à matriz da qual foi criado.
Todo o homem quando vai para o Aiyé, invariavelmente, deve passar na oficina de Àjàlà e escolher o seu Orí. Esta escolha se chama Kàdárà, oportunidade e circunstância, e ao fazê-la, está determinando sua natureza e destino.
Este momento ocorre da seguinte forma: A alma se ajoelha(posiçao fetal) diante dos pés de Olórúm (O Criador) e entao lhe faz um pedido – Àkùnlé yàn – pedido esse q estará relacionando ao seu desejo de crescimento moral e espiritual. Entao Olórúm lhe fixa o destino – Àyàn mó Ipín - q Orí deverá seguir, em q geralmente atende aos desejos do próprio Olórúm e e às necessidades das restituiçoes q Orí deve cumprir. E entao recebe – Àkùn légbà – as circunstâncias q possibilitarao os acontecimentos, geralmente ligado às questoes de tempo/espaço, meio e todo o entorno necessário ao melhor cumprimento do destino.
Neste momento a alma recebe os seus èwós (tabus), interdiçoes alimentares, de vestuário, de açao, etc.
Afirma compromisso com o seu ancestral e tutor espiritual (Orixá). Afirma compromisso com o Bàbá Egún (Pai espírito) responsável pelo ìpònrí ancestral terreno q formou o seu corpo material, e q zela pelo desenvolvimento da família a q Orí fará parte. Todos os contratos são firmados e/ou reafirmados diante de Olórúm e de Orúnmilá, e à medida q o são o destino se lhe vai fixando.
Então Orí se dirige à Àkàsò (a fronteira entre Orúm-plano espiritual, e Aiyé-plano físico) e pede passagem à Oníbodè (o porteiro), q lhe interrogará o q fará no Aiyé, Orí lhe contará e mais uma vez se fixará nele o seu destino.
ORÍ - A fisiologia divina.

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