quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A MEMÓRIA DA PELE

PARA MEU MUSO MOISÉS MOSÃO

A MEMÓRIA DA PELE

Há dias em que o corpo da gente fala mais alto que a razão, que o raciocínio, que a lógica.
Há dias, em que a minha pele acorda sedenta da sua carícia. Da sua língua, do seu beijo, da sua pele, do seu corpo sobre o meu!
Nossa pele tem memória! Tem saudades!
Nesses dias, a mente serpenteia num balé vertiginoso. 
Recordando sensações deliciosas!
A mão que desliza, que acaricia, que aperta, que arranha, que penetra indecente.
A língua molhada, ávida, que lambe, que beija, que percorre, que se apodera, que absorve.
O olhar estremecedor e inquietante, desejoso, que hipnotiza, atiça e desnuda.
Os pelos roçando, arrepiando, instigando.
Os músculos retesando-se, expandindo-se, convertendo-se em gigante de pedra bruta. Impondo-se sobre e dentro. 
Invadindo, uma invasão consentida.
Dominando, conquistando espaços, ocupando-os carinhosa e violentamente, em busca da nascente pura, da água da vida.
Em busca do estremecimento, do grito, do gozo.
Coxas alagadas, gigante de pedra adormecido.
A mente se aquieta, para logo despertar e recordar novamente!
Por Madame L.

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