A Memória da Pele
Há dias em que o corpo da gente fala mais alto que a razão.
Que o raciocínio, que a lógica.
Há dias, em que a minha pele acorda sedenta da sua carícia.
Da sua língua,
do seu beijo,
da sua pele,
do seu corpo sobre o meu!
Nossa pele tem memória! Tem saudades!
Nesses dias a mente serpenteia
num balé vertiginoso.
Recordando sensações deliciosas!
A mão que desliza,
que acaricia,
que aperta,
que arranha,
que penetra indecente!
A língua molhada, ávida!
Que lambe,
que beija,
que percorre,
que se apodera,
que absorve.
O olhar estremecedor e inquietante,
desejoso, hipnotizante,
que atiça e desnuda.
Os pelos roçando, arrepiando, instigando.
Os músculos retesando-se, expandindo-se,
convertendo-se em gigante de pedra bruta.
Impondo-se sobre e dentro.
Invadindo, uma invasão consentida.
Dominando,
conquistando espaços,
ocupando-os carinhosa e violentamente!
Em busca da nascente pura, da água da vida.
Em busca do estremecimento, do grito, do gozo.
Coxas alagadas, gigante de pedra adormecido.
A mente se aquieta, para logo despertar
e recordar novamente!
Por Madame L./ Lorena Horta
Tela de Heloíza Azevedo
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